Contributos da Educação Tecnológica /Saber Fazer
Raramente, as coisas ou objectos, surgem na forma acabada, como que por um acto de magia. Quase sempre envolvem um acto de idealização, com projecto, mais ou menos elaborado ou passagem directa à fase de execução. O seu desenvolvimento depende da complexidade do objecto. Envolve normalmente competências , cognitivas, atitudinais e operativas. Conjunto de competências que é necessário interiorizar e desenvolver, só possíveis através de um processo ensino/aprendizagem, hoje mais do que nunca, devidamente estruturado e organizado e com maiores probabilidades de sucesso dentro do processo educativo geral. Não se compreende, que hoje, quando o mundo da Técnica, praticamente coincidente com o mundo económico, seja visto como uma intenção e não como uma função, por forma a pelo menos facilitar a compreensão da técnica, cada vez mais exigente e com mais e maiores implicações sociais.
Entrando no campo das novas tecnologias, estas constituem-se como uma força determinante do processo de mudança económica, social e cultural que se desenvolve na sociedade contemporânea, levando-a a caminhar rapidamente para um novo tipo de organização social, tendo efeitos diversos:
Implicações nas actividades profissionais
Em muitas actividades profissionais assiste-se à redução do trabalho manual mais perigoso, mais penoso e mais repetitivo. Verifica-se igualmente uma maior articulação entre o trabalho manual e o trabalho intelectual.
A actividade humana tende assim, a tonar-se, pelo menos nalguns casos, mais interessante, com mais tempo para o lazer, onde as novas tecnologias terão um papel importante como ocupação dos tempos livres.
Implicações na cidadania
O poder cada vez maior proporcionado pelas NT, que tanto podem servir fins construtivos como destrutivos, exige que os seres humanos sejam cada vez mais críticos, conscientes e reflexivos. Um dos argumentos que há alguns anos se apontava para desencorajar a utilização educativa do computador é que ele iria agravar as desigualdades sociais. O computador pode, de facto, ser um importante factor de agravamento destas desigualdades. Os jovens de famílias com mais recursos económicos têm acesso em casa a máquinas mais potentes e a fontes muito mais variadas de informação. Mas não será a utilização do computador na escola que irá agravar essas desigualdades pelo contrário, será a falta dessa mesma utilização que irá deixar os alunos das classes populares em condições de maior carência neste domínio.
Implicações culturais
As NT têm implicações culturais a diversos níveis. Actuam e entram em interacção com as formas existentes de culturas e são elas próprias portadoras de nova formas de cultura. Oferecem novas possibilidades de expressão e criação nas áreas artísticas, desde as mais tradicionais às mais modernas, como o cinema, vídeo, música, artes gráficas, literatura, teatro, moda e design. O computador é utilizado quer por Homens das ciência e da técnica, quer por Homens das letras e das artes.
Implicações educativas
As NT provocam o aparecimento de novos saberes e novas competências. A escola tem de se preocupar com o desenvolvimento da capacidade empreendedora dos alunos, concebendo. pondo em prática e avaliando projectos da mais diversa natureza, agindo quer com independência quer cooperativamente. O uso do computador como ferramenta de trabalho ou como elemento de apoio à aprendizagem, ele poderá constituir mais um recurso propiciador de novas experiências e novas actividades, ao qual se deita mão quando apropriado, de acordo com as necessidades e interesses do momento, traduzindo-se num ensino mais rico e mais diversificado. As escolas necessitam de uma variedade de meios de suporte á utilização das novas tecnologias de informação. Os laboratórios de computadores são indispensáveis para certos tipos de aprendizagens.
A escola corre o sério risco de ser cada vez mais rejeitada pelos jovens, surgindo-lhes como representante de uma cultura de outra época, como uma instituição desfasada do seu tempo. Para a maioria dos alunos, os assuntos tratados nas aulas não despertam grande interesse. Muitas vezes isso não resulta propriamente dos assuntos em si, mas da forma como são apresentados, de maneira formal, rígida, como matérias a aceitar e não como problemas a investigar Os próprios professores estão muitas vezes presos a uma concepção de saber estático, cristalizada, que vê o currículo como uma simples sequência de tópicos e subtópicos. Uma escola que não proporcione aos seus alunos e professores a oportunidade de se poderem envolver duma forma activa no estudo de novos problemas, no prosseguimento de novos interesses, na criação de novas actividades e formas de trabalho, em suma, no desenvolvimento de novas aprendizagens falha necessariamente nos seus objectivos. Numa época em que todos são unanimes em reconhecer a crise da escola, mais do que introduzir alterações de alcance meramente cosmético, interessa usar o computador para facilitar a criação de novas dinâmicas de aprendizagem, alterando o processo de construção do saber e as relações entre os diversos intervenientes do processo educativo.
Contributos da Educação Tecnológica /Saber Fazer
Não é nossa intenção fazer o historial da evolução do ensino técnico e forma como esteve organizado, por forma a responder as exigências do mundo do trabalho, onde o aparecimento de tecnologias mais desenvolvidas exigia do trabalhador uma preparação que lhe facilita-se, se não o conhecimento, pelo menos a adaptação às mesmas.
Foi esta a filosofia que sempre esteve, mais ou menos subjacente, ao ensino da técnica, até ao momento em que, digamos, se deu o grande "big-ben "tecnológico, onde as invenções se sucedem a um ritmo alucinante, que, com as adaptações necessárias, o sistema educativo ia respondendo.
Presentemente, quando o mundo tecnológico mais o justifica, o ensino das tecnologias/técnicas, foi praticamente banido do sistema de ensino no que diz respeito à escolaridade obrigatória. Hoje, mais do que nunca se justifica como componente da formação geral básica a iniciação à compreensão do mundo tecnológico. É nesse sentido que a Educação Tecnológica, pensamos, poder dar um grande contributo na compreensão e na forma de lidar com as novas tecnologias, principalmente a nível das novas tecnologias da comunicação e efeitos nefastos sobre o ambiente resultante do mesmo progresso tecnológico.
Não se compreende, quando, principalmente a sociedade empresarial que reclama das dificuldades em recrutar quadros com capacidades, já não, com conhecimentos técnicos especializados, mas pelo menos com facilidade de adaptação às exigências técnicas que a operação industrial exige, se, veja a Educação Tecnológica como intenção e não como função no ensino básico, principalmente no terceiro ciclo.
PARA QUANDO A EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA COMO DISCIPLINA CURRICULAR NO ENSINO BÁSICO?