Crenças

         · As cruzes

         No cume da Serra do Açor, nascem umas flores amarelas que os habitantes desta aldeia utilizavam para por nos ramos de louro, que levam à missa para serem benzidos no Domingo de Ramos.

         “Do pé dos ramos de louro fazem-se as cruzes que se colocam sobre as portas, e do resto do ramo fazem-se cruzes que se colocam nas hortas. Isto é feito no dia de St.ª Cruz, ou seja, no dia três de Maio. A colocação destas cruzes é feita para afastar a trovoada, uma vez que, quando esta se forma, é extremamente medonha nesta aldeia”.- dizia-nos o Sr. Pacheco, quando nos encontrávamos sentados comodamente no sofá do seu doce lar, a convite do mesmo. Este acto é feito, evocando St.ª Bárbara, acompanhado por uma alusiva ladainha:

                                      “Aqui te ponho,

                                      Cruzinha de Deus,

                                      Guarda tudo quanto for meu”.

         Ainda a propósito de trovoada, alguém nos contou o quanto ela é temida por todos. Sempre que há trovoada, os telefones e a luz deixam de funcionar, ficando a população isolada.

         Devido à distância que separa esta aldeia de Arganil, a população vê-se obrigada a ficar sem telefone durante alguns dias.

                                                               
                                                          ( Porta com as cruzes típicas )


         Como esta aldeia está situada num vale rodeado por encostas, a trovoada faz eco, o que assusta tremendamente os indivíduos. Assim, tiveram a necessidade de criar uma crença com o objectivo de diminuir este medo.     

· Azul das portas :

Ao chegarmos ao Piódão, deparamo-nos, com um elemento extremamente característico : é que, para além de todas as casas terem em comum o facto de serem construídas em xisto, quase todas elas também possuíam portas e alguns aros das janelas com cor azul.

         Para isto, existem várias explicações. Uma das explicações foi-nos dada pelo Dr. Ricardo , pessoa com a qual conversámos bastante. Para ele, a cor azul deriva do facto de as pessoas serem bastante religiosas, e assim utilizarem, esta cor, uma vez que é a mesma do céu.

Advertiu-nos também que, num dia solarengo, aquele azul das portas era como que um espelho no qual se reflectia o azul do céu.

                                                             ( O pormenor da cor azul nas portas )


         Existe ainda outra explicação, embora esta não seja uma crença. Antigamente a cor escolhida era o azul, pelo simples facto de que a única loja de Piódão na altura, só vendia tinta de cor azul, tal era a inacessibilidade deste local.