a) Estrada Real
( Estrada Real )
Em
tempos existia muito próximo de Piódão, atravessando o cimo da Serra do Açor,
a antiga estrada real que ligava Coimbra à Covilhã, conferindo-lhe assim, uma
situação privilegiada, pois por ali circulavam caravanas de carros puxados por
bois ou por cavalos (almocreves) que, da Beira-Mar,
transportavam para o interior peixe, sal e na torna-viagem, carregavam
carne, queijo e lanifícios ; dava também serventia a comerciantes, a
mercadorias, a pastores e até a salteadores.
Uma vez que a estrada
era longa, os viajantes sentiam a necessidade de fazer uma paragem e para isso,
utilizavam a designada catraia de S. Pedro. Aqui dormiam, faziam a troca das
bestas e, até talvez, fizessem negócios um pouco obscuros.
Devido à acumulação
dos excrementos dos animais, as terras neste sítio tornaram-se bastante férteis.
Conta o Sr. Francisco
Pacheco que já os pais dos seus avós contavam que naquele sítio, as batatas
semeadas davam batatas do tamanho da cabeça de uma pessoa.
b)
Gruta:
Ainda no cimo da
Serra de S. Pedro de Açor, encontra-se uma gruta virada para a povoação de Piódão.
A origem e função desta é para todos desconhecida. Uns dizem que serviu de
esconderijo para os que circulavam na Estrada Real; outros dizem que era para a
extracção de água; para dormitório; ou ainda, há quem diga que serviu para
a exploração de minério.
Actualmente, esta
gruta encontra-se praticamente encoberta por mato, devido a isto só nos foi
possível observá-la porque o Dr. Ricardo Pacheco nos acompanhou no percurso da
Estrada Real.
Para retirar a água
é uma hipótese pouco provável, pois no Verão, esta seca, e os indivíduos não
se iam dar ao trabalho de a realizar inutilmente.
Por outro lado também
é pouco aceitável a hipótese da exploração de minério, uma vez que ela
apenas se encontra moldada na parte inicial.
( Gruta )

Logo a hipótese que nos pareceu mais aceitável é a de que esta gruta tenha sido realizada com o fim de servir de esconderijo.
c)
Pontes Romanas:
Ao vaguearmos pelos
caminhos estreitos e quase indefinidos, tivemos o prazer de descobrir diversas
construções que nos remetem para a época dos Romanos.

Logo ao sairmos da praça,
e ao descermos até à ribeira, encontramos uma
ponte bem conservada, pois é fácil imaginar as inúmeras pessoas que sobre
ela passaram e mesmo assim, ela continua indiferente ao passar dos anos.
Com a continuação
do nosso percurso em direcção às Casas Piodam, deparámo-nos com uma outra
ponte mas esta, encontrava-se extremamente desgastada.
Tivemos receio de
sobre ela passar, pois transmitia-nos pouca segurança.

Como o senhor António Pacheco nos disse: “As aparências iludem!”.
Pois a dita ponte, segundo ele, e segundo o que nós experienciámos, tem
bastante
segurança.
Para além destas,
encontrámos ainda outras pontes, tanto nesta aldeia, como nas outras
pertencentes à freguesia, mas achamos não ter grande relevância.
d)
Casas Piodam
Julga-se que ,
primeiramente, as pessoas fixaram-se no fundo da encosta da Serra do Açor,
viradas para nascente. A este local deu-se o nome de Casas Piodam ¾
a aldeia progenitora de Piódão.
Nessa época existia
uma grande abundância de urzes, as quais são óptimas para a proliferação
das abelhas. Assim, a produção do mel era de elevado nível.
A abundância de mel
de boa qualidade e a incidência do sol logo pela manhã, fazia com que as
formigas fossem atraídas, destruindo assim as colmeias e ficando os indivíduos
sem alimento.
Uma vez que naquela
altura as pessoas apenas se alimentavam de produtos de produção própria, ou
seja, do mel, da pastorícia e dos produtos agrícolas, é fácil de prever que
elas tinham que arranjar uma solução para combater a perda do mel. Foi então
que decidiram ir-se mudando de sítio, para um local onde não houvesse tanto
sol e assim as suas colmeias não fossem destruídas. Foram-se mudando até que
se fixaram no actual sítio conhecido por Piódão.