Tipos
de vegetação
No Açor, o vigor
da paisagem é reforçado pela rudez dos cumes e pautado pela monotonia que se
desprende das plantações ou do que delas resta em virtude da acção do fogo.
A vegetação que
é característica desta zona é dominada pelo carvalho e pelo castanheiro, também
se podendo observar medronheiros e grandes extensões de urzes.

Ao circularmos pelas
encostas pudemos observar castanheiros com centenas
de anos, uma
vez que o seu diâmetro era de grandes dimensões.
Calculando a sua
idade, esta remete-nos para a época de D. Dinis. Este, fazia um estudo
detalhado de todo o país para a plantação das árvores certas nos sítios
certos.
Segundo contas do
senhor Fontinha, a batata foi introduzida nesta aldeia há cerca de 70-80 anos,
vindo assim substituir o modo de alimentação que até então era à base de
castanhas, pois o castanheiro era a árvore que mais predominava nesta zona. As
pessoas faziam castanhas cozidas, sopa de castanhas, sobremesas de castanhas,
etc.
A outra árvore
que predominava era o carvalho sendo o seu fruto a bolota, a qual era muito
importante para a sobrevivência da população. Da bolota as pessoas obtinham a
farinha, a qual utilizavam para fabricar o pão que funcionavam como base da
alimentação desta zona.

( Urzes )
Nestas encostas pode ainda observar-se várias espécies de urzes. Ao
olharmos de longe deparamo-nos com uma imagem única e inesquecível,
onde
a cor que predomina é o roxo.
As urzes são
bastante importantes para a proliferação das abelhas. Quanto maior a
quantidade de urzes, maior a proliferação das abelhas, o que origina
uma maior produção de mel.
O medronheiro é
bastante útil para estes habitantes. É colhendo os seus frutos que fabricam a
famosa aguardente de medronho, a qual os visitantes podem provar no café da
aldeia, e se gostarem, adquirirem neste local, uma “garrafinha” da referida
aguardente.
Medicina
tradicional
Numa
das tardes que passámos em Piódão decidimos ir “molhar o bico” no café
“A Gruta” com o já nosso conhecido licor de mel. Enquanto isto,
apareceu o Dr. Ricardo Pacheco ao qual nós perguntámos se conhecia alguém que
fosse um entendido em Medicina Tradicional. Então referiu-nos o Sr. Francisco
Pacheco e o Sr. António Lopes Lourenço. Fomos à procura do primeiro, só que
este senhor estava à espera de um colega engenheiro e não nos pôde receber.
Sendo assim fomos até à “ Venda do Lourenço ” à procura da segunda
pessoa com quem tencionávamos falar.
O primeiro contacto
com Sr. Lourenço foi um pouco hostil, visto que estava a fazer a escrita do
dia, mas com o tempo começou a fazer-nos perguntas entre as quais a de qual era
a nossa terra. Ao dizermos donde éramos, informou-nos de uma pessoa que
conhecia, a qual era nossa conterrânea e famosa cartomante, D. América. Foi a
partir daí que a nossa conversa se tornou mais animada. Falou-nos de uma reza
que se diz quando há grandes tempestades em Piódão e passo a citar :
Numa
folha de papel
Para
nos livrares desta tormenta ”
(Santa
Bárbara – Santa da trovoada)
Falou-nos também do
que foi a sua vida : “ Para fazer a quarta classe tinha que percorrer quarenta
quilómetros até perto de Avô, isto em 1944.”
O momento que tanto
ansiávamos tinha chegado quando nos deixou ver e retirar dados de um papel
velho e gasto no qual estavam escritas as plantas medicinais da zona e o fim a
que cada uma se destinava.
Plantas
|
Função
|
|
Avenca
(folhas) |
Peitoral
e Tosse |
|
Digital
(folhas) |
Coração |
|
Borragem
(folhas) |
Constipação
e Sodurificação |
|
Alho
e Feto Macho (raiz) |
Vermes
e Lombrigas |
Erva Cidreira |
Cólicas |
|
Grama
(raiz) |
Diurética |
|
Hisopo
(flores e folhas) |
Expectoração
e Tosse |
|
Malvas
(flores e folhas) |
Bronquite
e Peitoral |
|
Papoila
(flor) |
Peitoral
e Tosse |
|
Renovos
de Pinheiro |
Peitoral |
|
Sabugueiro
(flor) |
Constipação
e Sodurificação |
|
Salva |
Gargarejo |
|
Verbasco
(flores e folhas) |
Bronquite,
Tosse e Peitoral |
|
Salsa
(raiz) |
Diurético |
|
Erva
Moura (folhas) |
Cataplasmas
(tipo emplastros) |
Secas servem para chás caseiros |
|
Ainda na nossa
conversa ele referiu-nos que continha livros acerca da Medicina Tradicional, mas
a sobrinha deste simpático senhor tinha-os levado para Lisboa por curiosidade só
que não o chegou a entregar, “desaparecendo” segundo o Sr. Lourenço. Com
esta tamanha perda de saliva ofereceu-nos um copo de aguardente de mel à qual não
nos fizemos rogados, aqui vai disto e bebemos duas aguardentes de mel, por acaso
muito saborosas e sem mais demoras despedímo-nos, agradecendo vivamente o tempo
perdido com tanta conversa.