Algumas reflexões sobre os conteúdos programáticos

da educação pré-escolar

   

 

Ao analisar os conteúdos programáticos da educação pré - escolar, cheguei à seguinte conclusão: o educador deve desenvolver nas crianças, a autonomia, a liberdade e a solidariedade.

Uma autonomia que permita às crianças irem sozinhas à casa de banho, a atar os atacadores do seu calçado, a saberem sentar-se nas cadeiras  e a trabalharem sem necessitarem, constantemente, da presença do professor.

Uma liberdade que leve a criança a saber respeitar os outros e a conhecer os seus direitos e deveres.

Uma solidariedade que se deve desenvolver progressivamente e que é imprescindível à integração da criança, no grupo escolar.

Para além disso, a criança deve saber relacionar-se com o meio que a rodeia, de acordo e sempre com o seu nível etário, adquirindo progressivamente a noção, embora limitada, do espaço e do tempo.

Nas áreas de expressão, o educador deve desenvolver as capacidades essenciais, base de um futuro desenvolvimento nas referidas áreas.

A Motricidade Fina deve ser bem desenvolvida, principalmente nos alunos com 5 anos.

Em relação à expressão oral, a criança deve saber expressar-se com clareza, quer através de frases correctamente construídas (a concordância, dos grupos essenciais da frase, deve incidir, fundamentalmente no género, número e pessoa), quer através de uma boa articulação das palavras. As rimas, as lengalengas, os trava-línguas e as adivinhas podem melhorar essa articulação. A criança deve elaborar frases simples na afirmativa, negativa, interrogativa e exclamativa.

A oralidade desenvolver-se-á, ainda, se ela souber descrever gravuras, contar histórias ouvidas ou inventadas, contar o que observou e viveu no seu meio familiar e no jardim infantil, se souber ouvir os outros, se debater em comum as regras do grupo, se falar ao telefone, se fizer perguntas e se transmitir recados.

Em relação à iniciação à escrita, a criança deve saber escrever o seu nome em letras maiúsculas e à máquina e saber compará-lo com os dos seus colegas. Deve aprender a substituir palavras por símbolos e fazer de conta que escreve. Deve, ainda, contactar com o código escrito, através de textos, livros ilustrados, computador e registos, deve desenhar os círculos  da direita para a esquerda, de modo a facilitar, mais tarde, o desenho de alguns grafemas.

Os educadores devem dar muita importância aos jogos de observação de palavras e letras, sem contudo, as nomear. Devem ainda realizar jogos de rimas para as crianças identificarem o mesmo som, em diferentes palavras.

Na área da matemática, a criança deve saber classificar os objectos segundo as suas propriedades. Para além da utilização de outros materiais, os blocos lógicos e o material Cuisinaire são muito importantes para atingir esse objectivo. Deve ainda saber formar conjuntos, tendo em conta as diversas propriedades dos seus elementos. Deve formar sequências, puzzles e construções com peças de legos. E, sempre que possível, deve fazer contagens com diversos materiais, associando alguns números às quantidades correspondentes. Deve adquirir várias noções como: antes/depois, ontem/hoje/amanhã, sequência semanal, mensal e anual; assim como alto/baixo, grande/pequeno, grosso/fino, muito/pouco etc. Deve efectuar medições, ter algumas noções sobre medidas de capacidade e de peso, assim como deve saber resolver problemas simples relacionados com a sua vida. O calculo mental deve ser desenvolvido de acordo com o desenvolvimento intelectual das crianças.

O desenvolvimento da lateralidade é imprescindível ao equilíbrio físico e psíquico da criança, do jovem e do adulto, por isso o educador não deve esquecer a sua importância.

As actividades mais complexas  devem ser dadas aos alunos com 5anos, de modo que a transição, para a escolaridade obrigatória, se faça com a facilidade desejada.

Após a aquisição de todos estes conhecimentos, a escola tem o dever de lhe dar continuidade e o professor tem de saber estabelecer uma ligação perfeita que leve a criança a sentir que a escola dá sequência ao que viveu e aprendeu anteriormente.

Apesar da continuidade que tem que ser dada pela escola do 1º ciclo, defendo a existência do ano zero, ano esse que tornaria mais perfeita essa ligação.         

 
 

 O Professor: Fernando Roque