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CENAS DO MUNDO RURAL:
O MILHO, O PÃO E A MATANÇA DO PORCO
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Passaram a Primavera, o Verão e o Outono...
Já não há flores à beira dos regatos, searas nos campos nem grilos a cantar ao anoitecer...
Nos celeiros, canastros e arcas armazenaram-se os produtos da faina agrícola e começa a apetecer estar à lareira a ouvir a chuva que cai dos beirais.
O vento rodopia numa dança alucinada à volta dos ramos despidos das árvores e homens e mulheres preparam-se para os dias ainda mais rigorosos de Janeiro e Fevereiro. |
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As corgas, rios e riachos galgam os muros, sobem aos lameiros numa força incontrolável. Os rodízios e as mós dos moinhos acordam com o fragor das águas e os tangedoiros reclamam pelo grão que já tarda... Então, mulheres e homens sobem e descem as ladeiras carregando sacos...
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Lá fora, o frio da geada convida ao fogo a crepitar na lareira e, à boca, apetece o pão. |
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Então, mãos hábeis peneiram a farinha para a masseira, acrescentam a água e o sal necessário e amassam, amassam... |
Amassam, amassam ... |
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Depois de amassada, uma cruz é desenhada para que com a graça de Deus a massa finte e dê o saboroso "pão nosso de cada dia". |
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Depois fecha-se a porta e, durante, pelo menos, um par de horas, acontece a transformação. |
Das entranhas das pedras ainda mornas sai o pão fumegante, loiro e apetitoso... |
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O grão de milho doirado deu lugar ao ouro do pão, |
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A MATANÇA DO PORCO
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Alguns dias antes o bácoro roncava guloso no curral à espera do balde da lavagem. |
Porque o animal está bem "cevado" são precisos os braços fortes de três ou quatro homens para o dominarem e conduzirem ao local do sacrifício que, geralmente, é o carro das vacas porque proporciona a inclinação ideal para este trabalho. |
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O sangue que jorra, abundante, é aparado num alguidar. |
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Depois o pêlo do porco é chamuscado e a sua pele é raspada e lavada até ficar bem branquinha... |
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No dia seguinte mãos hábeis hão-de partir a carcaça em pedaços... É a "desmancha"! |
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Primeiro tira-se o "redanho" que é uma espécie de véu de gordura que envolve os intestinos. |
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Depois levam-se a um rio, ribeiro ou outro sítio com água corrente e abundante onde são muito bem lavadas e esfregadas com sal. |
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Algumas são cheias com o sangue do porco e outros condimentos e dão saborosas morcelas. |
As outras, passados uns dias, enchem-se com carne de "vinha d'alhos" e transformam-se em deliciosos salpicões e chouriços que se penduram ao fumeiro.
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