O Culto à Senhora da Lomba

É tradição oral e não sabemos se consta de livros também, que em tempos idos já muito recuados, ainda quando os rios "falavam", e estes lamentando "a seca dos montes e fontes" e sentindo a aproximação desta, acompanharam as preces "Ad Pluvium" das populações mais atingidas pelo "castigo".

Tinha então, aparecido a Senhora em seu rude nicho granítico, junto ao "Penedo da Missa", e como os velhos oragos não se faziam obedecer pelas nuvens, lá nas alturas, recorreram as sequiosas gentes à intervenção desta, prometendo-lhe capela rica e festa rija, contribuindo cada povoação em volta - S. Miguel , Santa Comba, Vila Chã, Lapa e Lages, com o seu boi de finta anual (todos os moradores pagavam em certa proporção) e Pinhanços com dois.

Para que o "Bodo anual" jamais seja esquecido Nossa Senhora perdoa ao povo que chame à Sua festa a "Festa dos Bodos", denominação consagrada pela tradição.


Festa dos Bodos

As "sopas" feitas com os bois e em água benta nos grandes "azados" de barro, são cozinhados em sete fogueiras pelos bodeiros durante a noite do arraial, no terceiro domingo de Agosto, em sete casas térreas e descobertas, alinhadas frente à Ermida.


Actualmente já não se fazem estas "sopas", festeja-se de modo soberbo esta Senhora milagreira, com 4 dias de festa, mas de modo mais moderno, não sendo a festa só de veneração à Senhora, mas também festa civil.

Além da procissão com quase todos os andores de santos decorados a preceito para o efeito, um fausto arraial e no lugar das "sopas" oferecem-se "as ofertas", que incluem um vasto menu, recheado com muitas iguarias e quase sempre avaliado em várias dezenas de contos.

Em vez de um bodeiro existe o mordomo e em vez dos bois, cada mordomo (4 a 6), habitantes da aldeia de Pinhanços contribuem com o trabalho na organização da festa -religiosa e civil- e entrega a sua "oferta" que é rematada em leilão.