Sophia Breyner

 

 


Minhas Poesias

 

Deito-me tarde

Mar sonoro

Não se perdeu nenhuma coisa em mim

Navio Naufragado

Quem és tu

Um dia


Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.
Sophia Breyner

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, nasceu no Porto, em 1919, no seio de uma família
aristocrática. A sua infância e adolescência decorrem entre o Porto e Lisboa, onde
cursou Filologia Clássica. Após o casamento com o advogado Francisco Sousa Tavares,
fixa-se em Lisboa, passando a dividir a sua atividade entre a poesia e o ativismo cívico
contra a ditadura de Salazar, que então dominava o país. As duas atividades não são,
no entanto, separáveis: se por lado é sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro
aos Presos Políticos", a poesia ergue-se também como uma voz da liberdade, especialmente
em O Livro Sexto. A sua intervenção cívica é uma constante, mesmo após a Revolução de
Abril de 1974, tendo sido Deputada à Assembléia Constituinte pelo Partido Socialista.

Sem sombra de dúvida, é uma das mais amadas poetas portugueses contemporâneos,
um nome que se transformou, em Portugal, num sinônimo de poesia pura e, ao mesmo
tempo, numa espécie de musa da própria poesia.

 

A vida de Sophia Breyner



1919 - Nasceu a 6 de Novembro no Porto, onde passou a infância, aos 3 anos,
teve o primeiro contacto com a poesia, quando uma criada lhe recita A Nau
Catarineta, que aprenderia de cor. Mesmo antes de aprender a ler, o avô
ensinou-a a recitar Camões e Antero de Quental.

1926 - Ingressou no Colégio do Sagrado Coração de Maria, no Porto, até aos 17 anos
 Primeiro semi-interna, depois externa. Tem professores marcantes como a D. Carolina
(de Português). E, apesar da pouca estima por disciplinas como Matemática e Química,
nunca foi reprovada. Aos doze anos escreveu os primeiros poemas. Entre os 16 e os 23
tem uma fase excepcionalmente fértil na sua produção poética.

1936 - Estuda Filologia Clássica, na Faculdade de Letras de Lisboa, mas não leva a
licenciatura até ao fim, três anos depois regressa ao Porto, onde vive até casar
com Francisco Sousa Tavares, altura em que se muda definitivamente
para Lisboa. Tem cinco filhos.

1944 - Publica o primeiro livro, Poesia, uma edição de autor de 300 exemplares,
paga pelo pai, que sairia em Coimbra por diligência de um amigo: Fernando Vale.
Em 1975 seria reeditado pela Ática. Este livro é uma escolha, que integra alguns
poemas escritos com 14 anos. É o inicio de um fulgurante percurso poético e não só.
Publicaria também ficção, literatura para crianças e traduziu,
nomeadamente, Dante e Shakespeare.

1947 - O Dia do Mar, Ática.

1950 - Coral, Livraria Simões Lopes.

1954 - No Tempo Dividido, Guimarães.

1956 - O Rapaz de Bronze (literatura infantil), Minotauro.

1958 - Mar Novo, Guimarães; A Menina do Mar (infantil), Figueirinhas; A Fada Oriana
(infantil), Figueirinhas. Escreve um ensaio sobre Cecília Meireles na "Cidade Nova".

1960 - Noite de Natal (infantil), Ática. Publica o ensaio Poesia e Realidade, na «Colóquio 8».

1961 - O Cristo Cigano, Minotauro.

1962 - Livro Sexto, Salamandra, distinguido com o Grande Prêmio de Poesia da
Sociedade Portuguesa de Escritores, em 1964; Contos Exemplares (ficção), Figueirinhas.

1964 - O Cavaleiro da Dinamarca (infantil), Figueirinhas.

1967 - Geografia, Ática.

1968 - A Floresta (infantil), Figueirinhas; Antologia, Portugália, cuja 5ª edição
(1985 - Figueirinhas) é prefaciada por Eduardo Lourenço.

1970 - Grades, D. Quixote.

1972 - Dual, Moraes.

1975 - Publica o ensaio O Nu na Antigüidade Clássica integrado em O Nu e a Arte,
uma edição dos estúdios Cor. Deputada pelo partido Socialista à Assembléia Constituinte.
A sua atividade político-partidária não foi longa, mas ao longo da sua vida sempre foi uma
lutadora empenhada pelas causas da liberdade e justiça. Antes do 25 de Abril pertence
mesmo à Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos.

1977 - O Nome das Coisas, Moraes, distinguido com o prêmio Teixeira de Pascoaes.

1978 - O Tesouro (infantil), Figueirinhas.

1983 - Navegações (IN-CM); recebe o Prêmio da Crítica do Centro Português da
Associação de Críticos Literários.

1984 - Histórias da Terra e do Mar (ficção), Salamandra.

1985 - A Árvore (infantil), Figueirinhas.

1989 - Ilhas, Texto, distinguido com os Prémios D. Dinis, da Fundação Casa de
Mateus e Inasset-INAPA (1990).

1990 - Reúne toda a sua obra em três volumes, Obra Poética, com a chancela da Editorial
Caminho; é distinguida com o Grande Prêmio de Poesia Pen Clube.

1992 - Grande Prémio Calouste Gulbenkian da Literatura para Crianças.

1994 - Musa, Caminho. Recebe Prêmio Vida Literária da Associação Portuguesa de
Escritores. Publica Signo, um livro/disco com poemas lidos por Luís Miguel
Sintra, uma edição Presença / Casa Fernando Pessoa.

1995 - Placa de Honra do Prêmio Petrarca, atribuída em Itália.

1996 - Homenageada do Carrefour des Littératures, na IV Primavera Portuguesa
 de Bordéus e da Aquitânia.

1998 - O Búzio de Cós, Caminho, distinguido com o Prêmio da Fundação Luís Miguel Nava.

1999 - Prêmio Camões.